segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

30 primaveras e uma possível história

Algumas histórias começam pelo fim. Outras começam e acabam no curto tempo de uma anestesia. Fatos similares podem ocorrer, mas cada história é única. E nenhuma é só o que parece.
Eu tenho 30 anos e minha estação do ano preferida é a primavera. Meu pai 63 e minha mãe 57, quase 58. Tenho um tio pouco mais novo que minha mãe e uma irmã mais velha. Meus avós já estão bem velhos, mas resistem ao tempo e às lembranças.

Sou um homem reconhecido e amado. Rico, não. Nunca quis bens materiais. Pode parecer loucura ou soberba, mas hoje eu sei muito bem que eu existo pra cuidar dos outros. Eu sou a força que muita gente precisou e precisa. Minha família diz que eu sou luz pra cada um deles. É bem verdade, mas isso é coisa de família.

Eu estudei biologia dos 18 aos 22 anos. Aos 23 comecei as doces cruéis histerias da filosofia. E sou muito envolvido com as artes, por influência dos meus pais. Hoje me aventuro por partes do mundo em missões humanitárias. Da Rússia ao Brasil, da África do Sul à Índia. Em cada canto encontro situações conflituosas e gente que vive em situações cada vez mais precárias. É chegar a cada destino e logo solto: CAÇAPAVA DE URUBUCA! Desculpem-me pela indelicadeza. Sempre gostei de palavrões. E é só olhar pro que se passa que eu fico indignado. Burro! O ser humano é burro! Tenho vontade de mandar que se danem, mas os que precisam não tem culpa. Enfim...

Há quatro anos eu navegava com destino à Nova Zelândia. Era um tipo de estágio dentro do programa de ação humanitária, logo que comecei. Um grupo de oito jovens de nacionalidades diferentes, cinco mulheres e três homens, na faixa dos 25-26 anos. Todos rumo à primeira ação. Eu via a bondade nos olhos de cada um. Mas agora pensa comigo: oito jovens, um navio, primeira longa viagem (e põe longa nisso), saudade de casa, hormônios, carência, felicidade pela viagem e a sensação de liberdade que nos trazia a brisa dos oceanos. Cada um conheceu a saliva do outro, o gosto do outro. Sentimos a pele um do outro com suaves goles de vinho. Alguns Merlot, outros Cabernet Sauvignon. Vez em quando eu não identificava porque era tanto sabor ao mesmo tempo, que era impossível decifrar. Todos saborosos. Amei um a um. Quando chegamos ao destino, não tínhamos outra coisa a fazer a não ser distribuir o amor a todos os necessitados, dentro do que nos pedia a ação humanitária. Confesso que acho o sexo uma ação humanitária importantíssima, mas num era bem disso que as pessoas precisavam em meio a tanta miséria. Era – e sempre é – lindo olhar pra todas as pessoas a quem prestamos assistência. Indico essas viagens a qualquer jovem entre 18 e 99 anos (18 pra ser politicamente correto no quesito “entrosamento de equipe”).

Meus pais me apoiam. E riem quando conto os “causos” internos das viagens. Particularmente, eu acho que eles eram bem loucos quando jovens. Eles num sabem disso, mas já presenciei cenas bem “calientes e relax” entre eles. Isso eu prefiro guardar pra mim.

Antes da filosofia, eu sempre fui muito mais ligado às modernidades tecnológicas e ao conforto. Tanto que a primeira vez que eu realmente me “dispus” a sair de casa e me embrenhar no meio do mato, com uma mochila onde cabiam algumas roupas, comidas práticas enlatadas e, ao lado, uma barraca pendurada, com tudo isso quase me causando uma lordose eterna, foi quando eu tive que fazer uma pesquisa de campo no curso de biologia. Traumatizante. Considerando que eu não era dos mais entrosados, resolvi fazer tudo sozinho. Escolhi o local, aproveitei uma semana de recesso da universidade, arrumei a mochila, comprei passagens de ônibus, saí de casa, passei na casa da minha avó que, com todo seu amor tinha mais ou menos sete comidas industrializadas diferentes me esperando, e fui pegar o ônibus. Mas o recesso não era apenas da universidade. Parece que a cidade inteira resolveu viajar. O ônibus não só estava cheio. Era gente pra todo canto. Em pé ou sentado, não tinha espaço pra nada. Crianças? Umas onze. Elas estavam eufóricas.

Pneu furou. Gente, grito, susto, desce, fuma, sobe, espera, tempo, relógio, música, moça com pressão baixa, motorista, estresse, discussão, passageiro, xingamento, assistência, chave de roda, macaco, borracha, ajuda, calor, sol, ar condicionado que não funcionava e só tinha a janela, a criança vomitando, medo de assalto, celular não funcionava, livro, música, tempo e mais tempo, sede, fome, era tudo enlatado e percebi que esqueci qualquer tipo de abridor, motor, ônibus arranca e segue, cheguei ao destino. Resultado: paguei um albergue, comi os enlatados em dois dias e voltei pra casa porque eu não estava em condições de pesquisar merda nenhuma. Repeti a matéria da faculdade.
Aos 14 anos eu também repeti matéria da escola. Mas essa num dava moleza. Repeti o ano escolar inteiro por conta da matemática. Cálculos à parte, posso estar errado com qualquer um dos números citados até agora. Minha memória é restrita aos meus últimos nove meses. Mas vamos lá.

“Viemos para ganhar
Não importa se o pau quebrar
Olê, olê, olê, lê lê á
Queremos a vitória:
TIME!”

Ao som desse cântico quase ecumênico no meio futebolístico da minha escola, eu fui campeão aos sete anos. Isso foi incrível. Eu era atacante do time que competiu o intercolegial. Goleador reconhecido e eleito melhor jogador do campeonato. Sete anos, camisa sete, sete gols em sete jogos e a colocação número 1. Somando os números, dá o dia do meu aniversário.

Nem sempre o dia em que nasci era de fácil celebração. Nem sempre era celebração, nem sempre eram risos e festividades. Sempre foi difícil assim. Mas, embora a delicada data, minha história foi linda e vai continuar por pelo menos mais trinta anos dentro daqueles que me viveram.


Essa é a minha possível história da primavera de 29 de setembro de 2014.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Vidro embaçado

O tempo parou no vento,

 No sopro de um segundo por segundo.
 
O tempo parou no flash da fotografia perdida.
 
Parou no palco não pisado, na cena de um ator perdido em cena.
 
Diante das lentes do que não foi filmado, da tela que não foi pintada,
 
Do movimento parado na dança inexistente.
 
Parei.
 
O tempo passou.
 
Perdido no tempo da linha que deixei de escrever.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A vista!



Da janela, quantas vezes contemplei
Sorri e, confesso, um pouco chorei.
Dali eu via o por do sol, a torre
E a igreja que, na foto, não mostrei.
Um pouco da cidade e,
Se eu estava no sofá,
Ali estava o filho a admirar
Pombas e mosquitos.

Com sol ou com chuva
Aquela vista me encanta.
Me trazia uma sensação de alegria
Que transcendia qualquer 40m²,
Escadas ou saguão.
Qualquer rua, praça,
Beco, avenida, rios
Que desaguam no oceano,
O mesmo que embeleza o Rio
Das lembranças de alguns dias.

E agora fico a admirar a mesma janela
De amor total, certeza e ansiedade
Do dia que irá chegar,
Do dia em que vou voltar.


https://www.youtube.com/watch?v=bcQwIxRcaYs

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Olho o relógio. Olho o calendário. Olho o dia lá fora.

O pôr do sol está lindo, visto da minha janela.

Os últimos raios passam por entre a copa da árvore e adentram meu quarto.

Cada raio de sol é uma lembrança gostosa de se visitar,

Na ansiedade de muitos outros raios solares a se viver!

sábado, 14 de junho de 2014

Das ameaças e desafios

Hoje ouvi algo interessante. "Temos que tratar os problemas da vida, não como ameaças, porém como desafios a serem enfrentados e vencidos". E, se não vencemos, não é vergonha pra ninguém fracassar por uma, duas ou cem vezes. O fracasso se torna aprendizado. Mesmo que fiquemos com raiva de fracassar, ele é aprendizado.

Já a raiva, o nervosismo, este não nos leva a nada, a não ser a prejudicar nossa própria saúde.
É necessário saber controlar a raiva até conseguir exterminá-la. Não digo de se calar e guardar para si, mas de contornar e, como ela se torna um problema, logo é desafio. Superar.

Nessa de problemas, coloco a distância e a saudade. Saudade é um problemão, dos grandes. É daqueles que consegue até paralisar a gente. Tem gente que contorna fácil. Eu não. Eu fracasso muito. Fico louco, de quase bater a cabeça na parede. Mas luto, todos os segundos. Tento minimizar ao máximo. Mas é difícil pois a saudade, quando é saudade mesmo, ela num larga a gente. Ela vem até na hora de beber água ou fazer cocô. E, pra vencê-la, não depende só de você mesmo.

Saudade é bom? É. Mas ela é sacana também. Porque a saudade, às vezes, quer te trazer um monte de outros pensamentos, sensações, etc. Aí é que o negócio fica bravo mesmo. Dá até raiva. Raiva de si mesmo, em algumas situações.

Si mesmo. O maior dos problemas. Lutar contra si quando o ego quer tomar conta de você. Mais que qualquer problema, o ego é como o chefão da última fase de um jogo de vídeo game. E, contra ele, é proibido fracassar. Aí está o único problema que dá vergonha de fracassar.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A imaginação do ator não tem limites.

Atores, apropriem-se de suas imaginações

e vivam essas realidades intensamente!



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os dias... longos dias...

Mas serão muitos os dias

Em que o dia-a-dia nos fará

Cada dia mais próximos, juntos.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Querer e fazer

Tudo tem sido diferente.

Tenho acompanhado mais a política, mais as questões sociais. Tenho acompanhado a economia, os esportes, a educação. Valorizado mais cada manifestação popular que se mostra positiva ao interesse coletivo.
Tenho me indignado cada dia mais com tantas injustiças, manobras políticas escrotas, com a violência. Me indignado com a situação da saúde nesse país.
Olho para o que está para acontecer em nossa nação e fico revoltado com a realização de uma copa do mundo dos ricos e envolvidos.
Tenho refletido mais sobre o comportamento humano, ações e reações.
Tenho pensado muito no meu alimento enquanto ser humano. Não o alimento que mata a fome física. Penso naquilo que faz crescer a bondade dentro de mim e o equilíbrio em minha mente e espírito. O amor em todas as suas possibilidades.
Penso em fazer-me crescer, ser humano, do bem. Solidário, compreensivo, amoroso. Sabendo escutar e falando quando me pedem ou julgo necessário. Penso e busco um crescimento espiritual sempre.
Junto a tudo isso, vejo que penso mais pra frente. Vivo o presente e penso no futuro. Observo e avalio meu trabalho, minhas ações, meus objetivos. E me dou o respeito.
Penso muito , mas muito mesmo, no meu lado profissional. Todos devemos pensar!
Penso no amor. Vivo o amor e nele sou feliz. Amor por mim, amor pelo outro, amor de família, amor de amigo, amor por quem você escolhe para compartilhar uma vida. Penso, o dia inteiro!
Penso no que me faz infeliz hoje e no que me faz feliz.
Tenho pensado que, mesmo pensando no futuro, o que temos agora é muito efêmero e precisamos viver e nos fazer crescer!
Penso que tenho um mundo a conhecer e quero começar, estimulado ou não pelo amor!
São coisas que todos devemos pensar. Eu penso.
Mais que isso, tenho feito. Me organizo para alcançar todos os meus objetivos profissionais - e eles às vezes se confundem -, por maiores que sejam. Eles são possíveis e eu acredito.
Faço acontecer, numa disciplina que só agora tenho, uma viagem dos sonhos. Talvez seja uma grande loucura, mas eu tenho disciplina até na hora de assumir minha loucura.
Penso todos os momentos. Penso na hora de poder não pensar. Quando chega, eu penso.

Parei de pensar, escrevi e vou fazer!
Faça também!

domingo, 12 de janeiro de 2014

A dois

Queria este domingo ao seu lado
Sua cabeça sobre meu colo
Minhas mãos em seus cabelos e eu cuidando de você.

Queria este domingo ao seu lado
Um passeio pelo parque e pela cidade velha
Um café, um chopp, um vinho.

Queria este domingo ao seu lado
Um almoço, um filme e nossa cama
Nossos braços em abraços.

Queria este domingo ao seu lado
Como quero todos os domingos, de segunda a segunda
Segundo a segundo.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Hoje foi um dia de limpeza dos armários.
Roupas, objetos, papéis.
Eis o que encontro:



BLÁ BLÁ BLÁ (Luíza Santos e Letícia Cabido - ano 2000 ou 2001)


Quem é ele?
Será que é ele?
Sim, é ele!

Amiche da Itália
Vive entre palcos
e camarins
Nos testes de televisão
e nos testes da vida.

Não nos poupa a verdade
Mas sempre omite a
mentira.

Às vezes parece melhor amigo
outras já acho um inimigo

Quando me chama de abelha
Fico muito irritada.
Quando me chama de feijão
Me deixa toda arrepiada (de raiva tá!)
Sempre alegre e engraçado
Mas parece mesmo um palhaço!

Apesar de você não ser normal
Até que é um cara legal.

Por favor não leve o poema a mal!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Um tributo ao clichê - meu Pai, meu Herói

Mal virou a meia noite do dia de hoje e veio uma vontade forte de chorar. Comecei a pensar que vontade era essa. Eu não tinha olhado o relógio. Eu não tinha percebido o dia. Comecei a chorar. Muito.
Não demorou e percebi que eu tinha uma saudade muito mais forte que qualquer coisa, e entendi que em pouco tempo estarei na minha terra natal, ao lado da minha família.

Caiu a ficha!

Hoje tenho vinte e oito anos, sou graduado, trabalho, corro atrás dos meus objetivos, passo dificuldades, facilidades, felicidades. Sou comprometido com meu trabalho, com uma pessoa, construo minha história e sigo meu caminho.
Aí paro pra pensar mais. Muito mais. Penso na minha vida até agora. Mais especificamente no meu alicerce familiar. Os que me conhecem sabem das perdas que tive na vida, desde ainda muito criança (talvez antes de ser criança).

Hoje quero falar de uma única pessoa, a qual cito no título dessa postagem: meu pai. Ele É o meu herói.

Eu poderia abrir uma história de muitos anos e de quatro vidas inteiras. Mas não quero completamente. Eu só quero abrir publicamente que eu tenho um herói!

Eu perdi minha mãe quando tinha apenas dois anos. Obviamente, meus irmãos mais velhos também. Eu não tinha irmãos mais novos. O que aconteceu? Éramos três irmãos e um pai.

Não me lembro de nada desse acontecimento especificamente, mas lembro um pouco do que se seguiu:

Eu me lembro de um maravilhoso arroz salgado, empapado, impossível de se comer. Me lembro de um bife que voou longe na hora do almoço. Me recordo de uma viagem a Muriqui (RJ), a casa e algumas situações. Lembro também de São Francisco (RJ) e seus marimbondos. Lembro mais ainda de quando um tal Fernando demitiu meu pai. Funcionário público. Lembro de camisetas sendo pintadas e vendidas. Lembro das cadeiras de estrutura de alumínio e trançado de "nylon", diante de uma tv 11 (?) polegadas, com carapaça branca ou vermelha (que mais parecia laranja - será que sou daltônico?), e, ali, entre moldes, pincéis, roupas para lavar, passar e uma casa para arrumar, o mesmo Fernando caía diante da força popular. Lembro, ainda, dos semi irmãos, do irmão, do adeus ao irmão. Lembro do retorno ao posto dantes ocupado. Lembro muito bem do nosso combinado muito antes disso tudo: "Agora é só a gente. Precisamos NOS ajudar". Eu lembro! A gente sempre se ajudou, sempre esteve junto. Continuamos.

Pausa para hidratação ocular, por favor!

Juro que lembro de todo o trabalho que eu dei. E eu sobrevivi! Juro que lembro de todo trabalho que dei. Talvez ainda dê! (risos)

"Quando esta noite findará e o sol, então, rebrilhará?" Lembro disso também.

Lembro dos lados bons e, também, dos ruins. Mas os ruins são insignificantes diante da grandeza desse cara.

O tempo passou como flecha e os três filhos primeiros, crescidos, deram boas vindas a mais um primeiro. Aquilo pra mim era fantástico! E é. É magnífico ver, depois de crescido, meu pai ensinando meu irmão. Eu acompanho! É magnífico ver que você, pai, acompanhou seus primeiros saírem de casa e você continuar com lindos valores, assumindo deveres e, por mais que você tente esconder, vivendo sentimentos dignos de um homem: o riso, o choro, o amor, a raiva, o desespero, a insegurança e a certeza, o medo completamente destruído pela força que você tem, pela pessoa que você é e que ninguém, nunca, há de questionar, duvidar ou por em prova.

Hoje eu vivo num eixo que me priva de muitos momentos juntos. E, claro, nessa confusão profissional toda, há muita falha minha - e sempre terá - que me impede de estarmos próximos fisicamente todos os dias.

Enfim, expondo o mínimo que consegui, quero que esse texto, esse momento, todas essas lágrimas de orgulho, de amor, de saudade, sirvam para o único trecho que importa desse texto:

Eu te amo! Muito! Feliz aniversário!


Bruno Campelo França Pinto

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Solo nosotros

Pienso en ti,
Solo pienso en ti.
Se van las horas,
Se van los días,
Y pienso en ti!

A las veces me parece que estoy lejos
Pero basta un segundo,
Y nada más,
Quedamos juntos.

Es increíble que el mundo se presenta pequeño.
Si, para nosotros es pequeño.
Cerca. Uno del otro. Juntos.

Una playa, nuestros ojos, nuestros amigos
Y podemos llegar al otro lado del lago.
Solo un pensamiento y listos,
Juntos al medio del lago.

Una noche en Brasil
Otra en Francia
Una más en Francia
Y otra en Brasil.

Llamame en mi teléfono,
Una risa.
Llamote para reir más.
Juntos!

Lejos? No.
Juntos.
Dos corazones.

Yo sé que pronto quedaré a tu lado.
Tu lo sabes también.


Vale?
Je t'...

domingo, 27 de outubro de 2013

Das canções

Todo sentimento sofre uma metamorfose ambulante. É um arrastão, mas ainda lembro de um barulhinho bom. Enquanto tomo um único cálice de vinho, penso que ainda bem que pra você guardei o amor, o verdadeiro amor. Quando o canto é reza, bem leve, tenho tantas palavras, tanta saudade.
Ainda lembro quando vim de Minas. Eu tinha um coração leviano, mambembe. Eu andava descalço no parque, na estrada e, enquanto isso olhava ao meu redor e pensava: ando meio desligado. Preciso me encontrar.
Mil perdões. O tempo passou e o hoje chegou. Agora, basta um dia. Espero passar a noite severina e finalmente chega o alvorecer. Hoje chego na linha do mar, vejo o Morro Dois Irmãos e me parecem sonhos, fantasia. Enfim, tudo o que se quer.
Esse sou eu. Por que não eu?
Não sabia da minha disritmia sentimental. Se eu soubesse, vida, não iria titubear em dizer: beija eu!
Então, fico assim...
Olhando para um céu de Santo Amaro, vendo o caldo do mundo derramar pela nascente de todo sentimento.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Entre Trópicos



Um cavalete. Nele, a última tela. A palheta com os restos de tinta. A solidão. A casa vazia. Nenhum móvel mais. Do lado de fora a paisagem. Um pincel. Um único pincel. Arrisco os primeiros traços de cor azul. Minha cor predileta. Um som ecoa em minha cabeça. Um som doce, alegre, com timbres que me arrepiam. É como música que me encanta e me faz dançar pelo espaço vazio. A brisa que entra pela janela traz um cheiro que me remete muita alegria. Danço. Aquele momento é meu, somente meu. Danço. Outros traços ocupam o espaço vazio. Da tela. Minha dança cria um mosaico de cores em seus últimos tons. Um tom acima. Danço. Fecho os olhos no desenrolar dos passos. Lembro-me de uma tarde doce em Ipanema. Uma noite doce em Ipanema. Uma manhã doce em Ipanema. E outra. E outras. Em ritmo acelerado as cores se misturam e ocupam, formam, por si, um quebra-cabeça. Parte por parte, em ritmo acelerado, meu corpo dança como as folhas da copa frondosa do lado de fora. Inspiro. O cheiro ainda me inebria. Sinto-me cheio. A tela está cheia. Já não uso o pincel. As mãos tocam cores e formam sorrisos. Te vejo. A dança, que já era inteira, se faz plena.  Já não está longe. Já não falta. Dança de par. Dois. Mesmo que em restos de tinta ainda fresca, te recrio em cada canto de qualquer sombra, de qualquer não-solidão. Fecho a janela. Abro a porta e saio. Te levo comigo pra um outro lugar qualquer. Azul.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sob encomenda

Acabo de descobrir que eu num sei pensar em mais nada além de você! Mas você não é nada. Você é tudo!
Porém, quando estou com você
Não penso em nada
Porque só penso em você
E você é tudo!

Tudo que penso em você
Num é tudo
Sinto, penso, falo, escrevo
Sobre o que falo
Sobre
Falo
Sobre o falo

Quando estou com você
Não penso em nada
Porque só penso em você

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Nós e amarrações

Minha transparência quanto aos meus sentimentos às vezes me incomoda! Me incomoda porque eu não sei segurar as palavras nem mesmo quando eu as escondo. Me incomoda porque tudo em mim é um livro aberto quando se fala de amor, e tudo é um cofre eternamente fechado quando não te confio uma gota d'água. Me irrita profundamente saber, inclusive, que eu estou abrindo isso aqui, publicamente. Olha só, que ridículo! De que te interessa saber cada palavra do que escrevo, sendo que seus problemas já são suficientes para te ocupar boa parte do seu tempo? De que interessa aos outros saber dos sentimentalismos banais de um jovem de 28 anos que, após altos e baixos - e isso eu posso garantir que já tive muitos e que nessa idade eles devem apenas estar começando - ainda se rende aos mais baixos altos da vida, incluindo expressões poéticas e palavras difíceis quando escreve? Mas tudo bem! Vou tentar facilitar dessa vez.


O ÓDIO


Primeiro quero levantar a seguinte questão: Quantas vezes você já odiou alguém?

Eu queria entender para que serve este sentimento. Sinceramente, é uma incógnita pra mim. Dos raros momentos que eu desconfio ter sentido isso, não demorou muito tempo pra perceber que num serve pra nada. Eu suspeito que o ódio deva servir unicamente para que a pessoa que sente fique mal. Olha que coisa mais banal! Além do mais, existem variações desse sentimento, correto? Tipos de ódio, uns maiores que outros, por uma quantidade maior ou menor de pessoas, coisas ou situações. Quem costuma sentir ódio me explica, por favor: o ódio é causado pelo outro ou por uma fraqueza e inferioridade de nós mesmos com o que achamos e sismamos em acreditar que somos e podemos? Eu tenho a forte suspeita que esse tal de ódio é tudo sisma da nossa cabeça. E eu odeio isso.


ANSIEDADE


Eu ia escrever apenas dois tópicos. Mas escrevendo agora sobre o ódio, fiquei ansioso em saber mais sobre outros sentimentos. E me perguntei sobre o que me deixa ansioso.

Eu fico ansioso com um monte de coisas. Com a necessidade de dinheiro, com a possibilidade de um bom trabalho, com uma consulta médica, com minhas obrigações caseiras e profissionais. Fico ansioso em vésperas de viagens, fico ansioso em chegar e em voltar. Fico ansioso na espera por telefonemas, sejam surpresas ou previstos, na espera por mensagens, respostas. Fico ansioso esperando a pessoa amada voltar pra perto, contando os minutos do encontro, do reencontro. Fico ansioso para visitar minha família. Fico ansioso pelo sucesso dos meus amigos e de todos os que gosto. Fico ansioso só de pensar que pode acontecer alguma situação que eu vá odiar!
A ansiedade é um sentimento muito estranho porque antecede tudo. É um sentimento sentido no escuro, às avessas. Em uma única palavra posso resumir a ansiedade: "SE".
Muitas vezes traz sensações ruins e também causa taquicardia, assim como o ódio. Mas tem hora que a ansiedade é boa demais. Principalmente quando acompanha alguns sentimentos que nos são bons por determinado tempo e/ou em determinadas situações.


DA MÁGOA


De repente, no universo que se cria, na ansiedade que se alimenta e estabelece, alguma coisa não acontece da forma que você queria, te deixando enfraquecido, aborrecido, triste e decepcionado. Nasce a mágoa.

Quando eu tinha poucos anos - muito menos dos poucos que já tenho - eu ganhei um vinil da Xuxa. Para os de menos idade que a pouca que eu tinha nessa época, vinil é um disco fino, preto e grande, que antecedeu o CD e era contemporâneo da Fita K7 (ou "cassete", como também era descrita e é como se encontra no Wikipédia). Bom, eu gostava muito do meu disco vinil da Xuxa.
Naquela época nós contávamos com uma secretária do lar. Acho que seu nome era Edna. Era bem humilde e tinha dois filhos, se não me engano (essas informações foram puxadas da memória em parceria com minha irmã).
Na casa do meu pai a gente sempre costumava juntar algumas coisas e doar. E é nesse momento que minha irmã se torna a bruxa má.
Em um determinado dia, provavelmente ensolarado e de muitas alegrias como nos contos de fada, algumas coisas foram selecionadas para doação para a Edna. E, no meio dessas coisas, minha doce vilã acrescentou meu vinil da Xuxa. Sim, meu vinil da Xuxa. Aquele da época do "Xou da Xuxa" que eu tanto gostava!
Não descobri no primeiro dia mas, quando descobri, experimentei o ódio por ela ter feito aquilo, a ansiedade de recuperar meu vinil (o que nunca aconteceu), e nunca esqueci dessa história: mágoa!


GRATIDÃO


Agradeço à minha irmã por ter me libertado daquelas músicas ainda na infância!


ESPERANÇA

"1 Ato de esperar. 2 Expectativa na aquisição de um bem que se deseja. 3 Aquilo que se espera, desejando. 4 A segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora ou pela cor verde..." (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=esperan%E7a).
Resumindo, acho que esperança é o que move o ser humano. É a válvula que se tem de um dia o que está ruim melhorar, de ter o que não se tem, do que está longe se tornar próximo, de alcançar objetivos.
Eu tenho esperanças diversas: de ficar rico, de ter uma vida feliz, de ter meu grande amor ao meu lado, do meu telefone tocar, tenho esperança de ver o mundo sem guerra e a esperança de que todos tenham essa esperança também e serei grato pela ansiedade que sinto pelo fim das mágoas e do ódio.
Acima de tudo, tenho esperança de um dia, como disse lá no início, deixar de me expor tanto como me exponho atualmente.


AMOR


Um sentimento que eu tenho certeza que todo e qualquer ser humano já sentiu e sente. Desse eu posso falar. E confesso que é o meu sentimento predileto.
Eu poderia passar horas escrevendo sobre o amor em todas as suas possibilidades. Seja Ágape, Fileo ou Eros. Porém, prefiro deixá-los sentir.
A mim cabe cair em minha própria armadilha e dizer que amo: meu pai, minha mãe, meus irmãos, meus familiares todos (incluo aqui minha madrasta e os parentes que já se foram), amo alguém da forma que nunca amei ninguém (e aqui entra a parte de declaração de amor explícita direcionada a quem é responsável pelos meus suspiros de esperança), amo meus amigos, minha profissão, a natureza, os animais (menos os ratos e as baratas), amo cada dificuldade que me faz crescer, amo Deus (e deixo este espaço aberto para os deuses que cada um escolhe pra si, ainda que seu deus seja você mesmo), amo escrever, amo mexer no facebook, amo fazer xixi e cocô, amo espirrar, amo estar vivo e talvez ame a ideia de um dia morrer, amo errar, odiar, tremer, chorar, agradecer, esperar, rir, ter medo e amar.


A FELICIDADE


Concordo com nosso contemporâneo Jeneci de que "felicidade é só questão de ser". E este sou eu. Um livro aberto. Aberto aos sentimentos todos juntos. Aberto a ser feliz a cada segundo que passa e a cada memória que guardo (ou perco, dependendo da situação).


A todos vocês que tiveram esse tempo ocioso de parar e ler todas essas tagarelices, eu deixo o convite de sermos felizes e sentirmos tudo o que se possa sentir. Ainda que o sentimento não esteja descrito acima, tenho certeza que ele está presente em cada palavra, em pelo menos uma das descrições. E o que me permito sentir agora, depois de me abrir a vocês: ALÍVIO!

sábado, 10 de agosto de 2013

Do que tenho (uma singela declaração de amor)

Tenho saúde, família. Estudei – e estudo – bastante, aprendo o tempo inteiro com todos os acontecimentos desse mundo. Tenho trabalhos. Não muito dinheiro, mas trabalhos. E isso também me ensina e faz crescer. Tenho muitos amigos. Alguns mais amigos que outros, mas amigos. Tenho inimigos também. Não por mim, mas talvez por minha existência. Tenho meus vícios, pelos quais até agradeço. Tenho dívidas também. Várias. Tenho fé! Tenho história, tenho lembranças, tenho tristezas e alegrias. Tenho ansiedade o tempo todo. Tenho um apreço enorme pelo mar e pelas montanhas. Pelo campo e pela cidade. Tenho curiosidades. Tenho dedicação, coragem e força de vontade. Tenho um micro-ondas, duas camas, roupas, tênis, máquina de cabelo. Tenho um celular, um lap top, mala, mochila, caderno e caneta. Tenho troféus. Tenho RG, CPF, PIS, carteira de trabalho. Tenho gastrite. Tenho vários “tics” nervosos. Tenho dúvidas, certezas, esperanças, OBJETIVOS! Tenho necessidade de me expressar...

Disso tudo que tenho, e talvez eu tenha até outras várias coisas, uma delas é certeza: eu tenho um sentimento que é maior que tudo o que tenho. Tenho um amor imenso por você!

Tenho a certeza de te amar hoje e sempre. Tenho vontade de estar ao seu lado o tempo inteiro. Tenho amor pelo que você pensa, pelo que você sente, pelo que você faz! Tenho vontade de te conhecer mais e mais a cada dia. Tenho vontade de estar mais próximo a você! Tenho vontade de cuidar de você, de te fazer dormir, de acordar e te dar bom dia. Tenho vontade de cozinhar pra você, de chegar ou te esperar chegar. Tenho vontade de atravessar o mundo pra poder te ver. Tenho necessidade de te ver, de te abraçar, beijar. Tenho um carinho tão grande por você! Tenho força pra te esperar. Tenho respeito e apreço por você, pelo que você é, pensa, sente e faz. Das lembranças que falei, as melhores contam com sua presença, mesmo que distante. Tenho vontade de namorar você, de te paquerar o tempo inteiro, de sair com você, rir e chorar, beber até cair. Juntos! Tenho tesão em você! Tenho alegria de você fazer parte de mim, da minha vida, da minha história. Tenho necessidade de dizer que te amo e que você pode contar comigo sempre! Tenho saudade de cada instante ao seu lado! Do sinal de “Espera!”, da conversa, do quiosque na praia, da criança, dos pastéis, baladas, de olhar pro mosaico que forma o rosto da Fernanda Montenegro, do sexo, planejamentos, do café da manhã, das mensagens e ligações. Tenho saudade do seu perfume, do seu toque, da sua pele, das nossas mãos – JUNTAS!

Tenho certeza!

Tenho certeza que a melhor escolha que fiz até agora é a de estar ao seu lado. Distante ou perto – do seu lado. Banho quente ou frio, junto ou separado, do seu lado.

Tenho certeza que quero construir uma vida com você e sempre te tornar a pessoa mais feliz do mundo. E sermos, nós dois, os seres mais felizes do mundo!

De tudo isso, o que mais tenho certeza é de que valem as minhas declarações de amor! E elas se renovam, pública ou intimamente. Elas sempre acontecem!


Tenho certeza que é você! Que somos nós!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hunm...

Uma rua, um almoço, uma gastrite...

O garoto caminhava.
Tarde de quarta feira.

Sinal de "PARE"!

Olhos se encontram,
Pensamentos se confundem,
Olhos se encontram.

Mesa, cadeira.
Mesas, cadeiras.

Portugal
Casal
Criança
Gato
Pureza
Nomes
Nós!

Bares, pastéis, quadros,
Risos, encontros, sexo,
Encontro...

Até breve, adeus,
Um + Um = 1

"O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem!"

A dúvida se estabelece no momento exato em que...
Em que...
Em que...

Que dúvida é essa, besta?

Esse poema se faz por vontade própria,
Por vida,
Por ti,
Por mim..

Nós somos detalhe
Fundamental!

Somos um
Somos mil
Somos nós dois...

Um!